quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sobre a nossa história

Me dá vontade de chorar quando te leio.
Às vezes choro, mas já não soluço. São gotas no canto do olho.
Ou choro meio por dentro, sem lágrimas mesmo.

Sabe do que me lembro? Quando nos encontramos no meio da rua, eu voltando de um estudo de francês, acho que era a Teodoro Sampaio. Deve ser algo como março de 2010. Nos encontramos, eu que havia acabado de voltar para a casa da minha mãe e estava vivendo num quarto antigo, lá da minha adolescência, a mais sofrida, cheio dos seus desenhos e versos nas paredes, malcriações, breoquices. "Vamos para a minha casa" te convidei. E fomos a pé. Você foi a única que conheceu este quarto, nena. Logo depois eu mudei para o outro, com aquela parede que pintei cor de tijolo, você lembra? O quarto onde dormimos depois da festa, o quarto que conseguiu me acalmar um tempo antes deu conseguir sair daquela casa. Mas você foi a única que visitou aquele quarto antigo. E lembro muito bem de ter te oferecido uma cachaça. Era a Santa Dose. Uma dose dela. Eu tinha acabado de voltar de Recife e trouxe essa garrafa. Depois descobri que começaram a vender dela no Pão de Açucar. Cachaça para se tomar gelada, limão e mel.

Não me lembro muito mais daquele dia. Mas está tão marcado na minha memória que é impossível esquecê-lo. Depois daquilo pedi para que pintassem todas as paredes de branco sem olhar para trás. Havia poemas ali que eu nunca mais vou conseguir reproduzir. Mas é assim. Você não sente que há poemas mesmo que existem para ser abafados por tintas? Fogos, papéis amassados no lixo.


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Depois desse dia tanto amor. A sua bipolaridade latente. O seu sorriso, choro, seriedade, maluquice. O queixo ensanguentando do Marcus numa copa do Mundo. Nós nuas em cima de uma pedra no alto do Rio de Janeiro. Ah, querida. Você me dá vida. E eu lhe agradeço por isso.





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