sexta-feira, 20 de maio de 2011

deleite

Essa semana sinto que abri os poros do amor
E agora um deles estourou na minha mão
e estou vendo essa tinta vermelha, quase laranja
escorrendo. penso em bexigas vermelhas com tintas explodidas
com flechas.

uma vez fui bêbada para o treino de arco e flecha e todas as minhas flechas iam desesperadamente para cima, eu mirava para o chão e iam para cima. outra vez fui tão triste que todas as flechas acertavam apenas o lado esquerdo. eu tive que mirar bem à direita da pista e mesmo assim só acertava raramente. um senhor de idade japonês que treinava sempre no alvo ao lado do meu, ia buscar as flechas comigo e sempre me ajudava com algum comentário. "não se preocupe, às vezes acordamos assim". mas ele sempre estava acertando tudo. uma outra vez cheguei tão desajustada, tão sem membros, sem orgãos, que fiquei tentando concentrar toda a tensão nos meus joelhos, para que não desmontasse. acertei o alvo na primeira flecha, e na seguinte foi muito próximo e a terceira estourou em algum lugar e caiu no chão, quando eu ouvi alguém gritando lá atrás "Robin Hood!"... E descobri que esse era o nome que eles davam para quando você acerta uma flecha exatamente atrás da outra.

agora estou com estes poros inflamáveis explodidos na minha mão e só o que eu quero é manter a concentração nos meus joelhos, que eles se mantenham firmes ------- porque estou completamente deslocada sem saber o que faço com esse líquido, vezes espesso, vezes fino, deleitando para o chão.

só porque ontem eu disse que estava feliz para alguém e quando disse eu soube que deveria ter guardado a chama por dentro. e então hoje estou meio quebradiça mas menos mórbida ----- acabamos resolvendo isso com sexo sexo sexo sexo
não qualquer um.


entrei num olho tão fundo do amor que eu cheguei a pensar que estava num lugar errado, como se eu estivesse por dentro do coração oblíquo do clitóris, por dentro da água viva tocando seu núcleo, por dentro dos tímpanos, e onde tudo é mais agudo e o amor parece um feto de tão sensível e pensei "aqui não pode ser lugar para seres humanos" e tive tanto medo de estar a beira de algum prédio - eu não podia deixar que a vida continuasse, eu tinha certeza, mas eu estava deitada na cama e abracei o amor. que na minha frente tinha as feições de uma mulher.

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