quinta-feira, 5 de maio de 2011

ser poeta é sê-lo na falta de lucidez

Gostaria de saber é se cabe o silêncio na tua palavra! 
Já que escrevo uma carta em
dois tempos. 
A vida me trouxe alguma força sobre dizer o sentir do sentir... 
Poderia hoje dormir com a boca calma de fábulas, e despertar com a usura de quem
soube um dia manusear no lábio fresco de quem clama 

o dia nasce torto porque puxo
o braço teu acima da horizontalidade mórbida dos ombros e faço nascer dias livres por
sobre as antenas que confundem tua mira, teu coração que destoa da mentira...

vai, me
abraça, encosta teu peito no meu e chafurda estrelas no amor que você mesmo erigiu.

estrelas são como candentes lavras contornadas sobre sonhos acordados de quem pulsa
espasmos sábios. 

Socar o chão, livrar a alma, vai, me toca, me expulsa a torta sina e
arranha a minha pele profusa que se funde a tua torcida fibra

Nossa história que sempre lembro alucina, 
quentura de discípulo traído,
esquece em minhas partes teu regojizo.
Soleira de porta, alheia ao crepúsculo ferido, 
ser poeta é sê-lo no sentido heróico do
verso recém partido... terei fechado o caderno em minha consciência se ser poeta é sê-lo
na falta de lucidez, se sê-lo senão é latência híbrida...

vem falta de lucidez, vem senão é latência híbrida...
vem me embarca em tua prosódica
esfera rosada, vem digere a lama da tumba, minha caótica morada.

Vai e vem com o
teu senso avergonhado, sacode a foice em teu rosto trigueiro, 
me esquece no obscuro
lampejo ... desembaraçado, teu cacho escorre pelos anéis dos meus dedos 
e se sê-lo poeta é, eu me vejo em teu parco olho esquerdo. 

Aluga a casa, finca o pé no simulacro dos nossos desejos, 
recite o título em duas linhas e deixe a velha figueira vazia, vem e vai
em meus evidentes pesadelos...

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