tento não me repetir e não descrever-te o que já está impresso nas tintas do que vai pelo correio - mas ando com idéias mirabolantes sobre mim mesmo - acho que sou um musgo ou algo assim - preciso de absinto, ópio ou laticínios - escrevi um poema sobre o moralismo - acho que vou começar a escrever e dizer i don't give a shit para eles. esses grandes homens que admiramos e estão esmurrando meu estômago, aquela mulher que esqueceu de amar, esqueceu o amor num canto e está ouriçada agora com uma grande atriz de teatro que é uma verdadeira serpente - não que serpentes não sejam magnificas, eles devem ser de fato, mas as serpentes estão em todos os lugares com os olhos em tudo e injetando seus venenos. e esta mulher-fantasma frígida e rígida que esqueceu que é feita de carne e vulva foi se encantar logo com essa pequena serpente e seus olhos vítreos - mas de perto são quentes. talvez eu esteja com um pequeno ciúme, eu nem sei o que é isso ou se isso existe. tenho raiva e amor entrelaçados e uma pequena decepção, mas decepção é uma palavra que fede tanto que eu nem sei porque estou evocando-a. creio que a decepção que sentimos em relação aos outros é também uma decepção, ou além de tudo, uma decepção consigo mesmo.
não creio que você saiba o que de fato estou falando, talvez eu mande os signos certos pelo correio, não posso deixar que os nomes vazem da minha boca, dar nomes é foder com as coisas. a palavra definir vem de "dar fim". não posso ouvir uma vez mais sequer este every time we say goodbye porque senão vai estourar pequenos coágulos dentro do meu coração
e no fim estou escutando porque não tem fim EV'RY TIME WE SAY GOODBYE I DIE A LITTLE
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