A tua presença...
Eu queria responder sobre as suas impressões londrinas, eu entendo algumas coisas, outras nem mencionar porque me enchem de uma estranha massa.
Por aqui, aqui dentro de mim, de mim mesma, sinto algo estranho, parece felicidade e tristeza, um sentimento que não sei nomear, uma “semilla”, eu não renuncio a essa vida que tenho, não estou trocando uma coisa por outra. É verdade, eu sou muito feliz e mudo não para encontrar a felicidade, desculpe dizer, mas já encontrei tanta diferente felicidade.
Desculpe dizer, mas já fui e sou feliz diversas vezes, eu também já fui e sou triste inúmeros meses. Como explicar que algo pulsa não em detrimento do que já é?
Eu estive em São José, era para tomar um banho de cachoeira, mas nunca conseguimos chegar à água corrente, claro que não alcançamos, porque minhas mãos já suam torrencialmente, então para que procurar fora se existe água dentro? E logo fora e depois dentro...
Faço amor com tantos versos, agora meu Eliot ficou entre montanhas de pimentas e “Stellas Artois”.
Feri a pele com uma tesoura sem ponta, nunca paramos para tomar o chá, tudo porque eu não queria chegar tarde à lição de francês.
A minha pele está toda rasgada, por entre arbustos de uma cidade eu percorri países. Terminei com os pés altos, os braços baixos e a água até o pescoço. Minhas mãos gotejam em todas as esquinas dessa cidade.
Me descuido para desvelar olhares,
fissurar a realidade
amalgamar criações
a ferida abrasiva
espelho da loucura
morte prematura
de uma febre fria
a minha pele descama e retalho a saia para expurgar.
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