quarta-feira, 20 de abril de 2011

Porque não espero mais voltar

Nos últimos dias, seus textos entraram em meus ouvidos.
Alguns dias de chuva e eu descamei, perdi pedacinhos de pele.
Também eu penso nas pequenas mortes, nas tantas paixões que nos acometem.


Sua narrativa me lembrou da forma como você ri , gostaria de ter escrito o Histeria,  de Eliot, para você :

"Quando ela ria, eu me apercebia de que estava começando a envolver-me com a sua risada e a fazer parte dela, até que seus dentes se reduzissem apenas a estrelas ocasionais aptas a formar esquadrões em  treinamento. Eu era tragado por ininterruptas arfadas, inalado após cada momentânea recuperação, e me encontrava perdido, enfim, nas cavernas escuras de sua garganta, golpeado por ondulações de músculos desconhecidos."

Não sei, mas sinto uma fissura produzida por uma estranha massa que os artistas comem. 

Aqui, mais ao sul do mundo, há uma paixão em estado de putrefação, realmente abril é o mais cruel dos meses, une memória e desejo e para variar tento ler muito à noite.

Eu queria te mostrar a sombra que caminha atrás de ti,
é quase escarlate,
eu te mostraria algo distinto,
no entanto... já amanhece
e é só um punhado de pó na cabeceira da cama.

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