quarta-feira, 27 de abril de 2011

(em genebra olhando os alpes pela janela)

hoje só vivo pra você
todo dia venho correndo para ver se você já qescreveu pra mim
tem coisas que não tem resposta, só o cheiro
ou um fisgão
desses fisgões
como quando você falou em abismo e eu entendi tudo o que eu sentia por você
mas não posso dizer
porque dizer seria matá-lo
mas posso tatear - tateamos tudo com tanto afeto e com tanta violência e com tanto rancor às vezes também que esfolamos as mãos e às vezes plantamos no vazio com o vazio.

agora entendi -

se eu fosse ver o mar eu pediria pra você me ajudar - como aquele menino do galeano

desculpe, tive um momento e comecei a chorar, meus lábios estão todos secos, sinto falta dos beijos. sinto falta do marcus tocando violão comigo por horas sem parar "na frente do cortejo... o meu beijo.... muito forte como aço"


estou com medo.
medo por você por mim por você
medo de não te ver nunca mais
e ao mesmo tempo tudo é excitação - transbordando pela privada - sabe quando entupimos por dentro - e sinto que vou sufocar e não posso dar mais um passo porque o oceano é muito grande e tão frio e a verdade é que tenho medo às vezes de entrar no mar quando ele é muito fundo mas eu entro porque eu sou o mar e você é o mar. e no seu mar tem mais variedades de peixes porque o pacífico é mais frio.

tem uma cor que chamam "azul caixão" que é quando você mergulha no mar muito fundo e pela cor parece que está raso mas é uma ilusão.... e você não sabe medir quanto tempo tem de oxigênio e às vezes simplesmente não consegue voltar para a superfície. __________ às vezes acho que estou nesse azul caixão. quando preciso lidar demais com as coisas - então é só deslidar, é isso?

por favor, guarde os meus degredos, guarde, profane, solte, amasse, queime
vá com você
mas volte
volte também

ir é só uma parte do caminho

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