quarta-feira, 20 de abril de 2011

E se ela morresse numa tarde qualquer


Bem, eu ficaria com uma dúzia de cartas retidas no correio. Prefiro dizer para você não voltar, prefiro que tome um chá ao lado de todas essas fronteiras. São versos de Eliot que me fazem seguir por brancuras estreitas, que me fazem jorrar um líquido que vale a pena. Valeria a pena todos os poentes, todos os ausentes? 

O que definitivamente vale é essa coisa de ser inteira e nunca pela metade que você faz sempre muito bem. Tenho o cheiro desse jazz e o som desse chucrute vegetariano em meu nariz . Pode morrer, mas sigamos... então...você e eu...todos aqui e ai.

Somos cinco, somos de fato uma bolha concreta, está dada a coisa e minha mãe abre a porta do meu quarto e diz que chegou a estranha conclusão que nunca, nem ela e nem eu, conseguimos atuar em nossos papéis, chorei. Você estava comigo, o seu último texto estava aberto.

Tenho uma inebriante coisa viva em meu corpo, paixão que rasga tudo por dentro, arrebenta as vísceras, imola-me em agonizantes delírios. O oceano realmente não existe, nem as divisas corporais. Eu fundei um mundo e não sei viver sem criar outros. 

Arrebento-me em versos, antes de dormir quando as palavras ficam atiçando o sono. Partimos num bailado unívoco, com a palavra corrente, eu não tomo tanto banho depois do amor, eu não tomo banho depois que a gente faz amor com as palavras, entende?

Entre dois continentes que quase chegam a parecer, nunca cessaremos de explorar o entorno e o “intorno” da matéria de que somos feitas e “refeitas”

Aprendi que é possível fazer amor através de Eliot!

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