quinta-feira, 28 de abril de 2011

Anoche de otoño

São Paulo está outonal, 
A poesia aflora pelas minhas virilhas,
uma parede verde e uma vermelha resguardam as minhas costas.

Aprendi a fazer amor com as pessoas por meio de livros e palavras, amei tanto Eliot esses dias, todos os poemas que encaro me fazem verter fragmentos de ternura.

Ontem a bolha estava em uma franca formação, nos fechamos e ficamos enfiados dentro do 127. Era uma efusão de palavras, costuramos a noite entre uma partida de xadrez, três garrafas de vinho e uma pizza chamada Selva. A gente comeu brócolis de madrugada, eu fui contra, mas fui voto vencido.

Imagina o que saiu das nossas bundas? Merda em forma gasosa.

A gente costurou a noite com dupla jornada de poemas,
Uma mucosa escorria das janelas,
Embalamos a solidão como uma criança.

Ele disse que jazz é coisa de adulto, eu entendi depois o que era isso, eu sou disléxica, não sei se acerto ou se abro o bico do gás.

Ela, a menina de cabelos curtos, dormiu no branco do sofá, encolhida, porque as pernas não eram de porcelana. A gente colocou uma colcha azul para esquentar. 

O frio entrava pelo vão da porta.

A cozinha ficou toda cheia de farinha, detergente e água.
Teve banho de roupa e tudo e...

sonhos na hora de despertar.

Eu peguei 200 reais que estavam na mesa e sai sem nada nas mãos.

Amanhã o Jacaré chega e eu não consegui pensar em nada para dizer.

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