São Paulo está outonal,
A poesia aflora pelas minhas virilhas,
uma parede verde e uma vermelha resguardam as minhas costas.
Aprendi a fazer amor com as pessoas por meio de livros e palavras, amei tanto Eliot esses dias, todos os poemas que encaro me fazem verter fragmentos de ternura.
Ontem a bolha estava em uma franca formação, nos fechamos e ficamos enfiados dentro do 127. Era uma efusão de palavras, costuramos a noite entre uma partida de xadrez, três garrafas de vinho e uma pizza chamada Selva. A gente comeu brócolis de madrugada, eu fui contra, mas fui voto vencido.
Imagina o que saiu das nossas bundas? Merda em forma gasosa.
A gente costurou a noite com dupla jornada de poemas,
Uma mucosa escorria das janelas,
Embalamos a solidão como uma criança.
Ele disse que jazz é coisa de adulto, eu entendi depois o que era isso, eu sou disléxica, não sei se acerto ou se abro o bico do gás.
Ela, a menina de cabelos curtos, dormiu no branco do sofá, encolhida, porque as pernas não eram de porcelana. A gente colocou uma colcha azul para esquentar.
O frio entrava pelo vão da porta.
A cozinha ficou toda cheia de farinha, detergente e água.
Teve banho de roupa e tudo e...
sonhos na hora de despertar.
Eu peguei 200 reais que estavam na mesa e sai sem nada nas mãos.
Amanhã o Jacaré chega e eu não consegui pensar em nada para dizer.
Sem gelo num só gole!
ResponderExcluircom a boca seca, do gosto da saliva que se funde em outros...
ResponderExcluirquero pernas de porcelana!
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