Penso que meu corpo se abre em afluentes até você
Eu fiquei bêbada na última noite, não lembro ao certo quantas taças de vinho entornei corpo adentro.
Me senti um rio vermelho, cheio de uma brava menstruação, um odor de rosas molhadas e abortivos pensamentos.
Eu, aos vinte e três anos, tentei o suicídio.
Falei disso, lembrei da cena, dos remédios, da corda circundando o meu pescoço, lembrei do meu primeiro desfalecimento por indução, lembrei-me.
Você brinca em pontes, eu procuro lugares de passagem, o nome do hotel: Salomão.
Tenho paixão por hotéis, gosto do cheiro de mofo, da crosta que fica no chão do banheiro, hotéis sem nenhuma estrela.
Foi ai que tentei num quarto, poderia ter me jogado da janela, mas achei muito violento, causaria repulsa e uma certa confusão entre os transeuntes.
Eu também não morreria em Londres, prefiro cidades que tenham o lirismo que é libertação.
Ontem, chorei abraçada ao Marcus, chorei e pensei que você entenderia o que se passa, Chorei, com todos os olhos que encontrei em meu corpo, chorei tal e qual você dentro daquele Pub. Culpa da bebida, culpa da chuva e do frio que tomaram a cidade.
A minha febre é fria, espero que a sua passe.
Não precisa fazer nada para aninhar...
Tuas palavras tocam o meu ventre, antes de alimentar o meu coração.
As bobagens são o reflexo do erudito que pulsa, eu também digo tonterias eternas.
Eu falo contigo por meio de Eliot, Ana Cristina César e por meio das cordas do violão do Marcus.
Eu te amo por meio dos versos e reversos que você é...
Estamos sempre em Adeus, fertilizamos o solo com os nossos abismos.
Eu chorei e sei que vou chorar hoje de novo e amanhã também.
Eu tenho certeza que você não irá para o céu, você tem esses dois amores e tantos outros por fazer...
Sempre poderemos encontrar entre escritos a definição do nosso,
Sinto tua falta, essa forma tão tua de me conhecer, tenho uma ressaca de 1 ano,
Há uma folha que resvala, é vermelha.
Há alamedas que se chamam pássaros,
Há arandanos em meus cabelos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário