domingo, 5 de junho de 2011

Uma noite com Pisco

Também tomei pisco no Peru, mas foi em Cusco.
Uma das noites mais malucas da minha vida.
Sempre achei que pisco era a coisa mais perigosa que existia
depois disso. E ainda acho.
Mas você disse, talvez não tenha experimentado no país certo.
Nesta noite estava muito frio, como agora, talvez mais,
e aquele ar com oxigenação muito baixa.
Eu saí a noite nas ruas procurando algo para fazer.
Uma portinha de bar, qualquer coisa, para entrar.
Meio a amizades estranhas que fui fazendo, tomei tequila e Pina Coladas em Pubs.
Depois Gim tônica numa boate que acabei entrando, eu que odeio boates.
Acabou meu dinheiro e só tinha o suficiente para beber cerveja.
Eu que odeio cerveja, bebi todas as latas que consegui bancar de uma tal Cusqueña.
Que era horrível, mas para mim todas as cervejas são horríveis.
Então flertei com uma moça de um país nórdico e ela me contou
que se eu comprasse um petisco tal ganhava uma dose de pisco souer de graça.
E eu não tinha dinheiro nem para o petisco.
Mas ela apontou para a mesa, não me lembro em que língua falávamos,
e me apontou uns 5 copos-brinde de piscos souers que seus amigos haviam deixado.
Fiz as honras, eu não podia deixar simplesmente aqueles copos ali.
E como se a bebida não fizesse nenhum efeito e o frio estivesse me incomodando
resolvi voltar pro lugar onde estava hospedada.
Ela ficou triste na hora. A nórdica. Mas eu nào tinha mais o que fazer ali.
Depois fiquei pensando se eu tivesse mais dinheiro,
talvez eu tivesse ficado,
talvez ela fosse o amor da minha vida,
e talvez eu tivesse morando agora com ela na Noruega
e brindando nosso amor com Piscos-Souers.
Mas não tinha espaço.
Eu não tinha o que era preciso.
E o álcool faz um efeito diferente nessas terras altas.
A baixa oxigenação retarda a absorção.
É o que eu acho.
Mas quando vem eclode um vulcão.
Eu não senti nada a noite inteira.
Fui para casa um pouco decepcionada.
Como quem tentasse arrancar a cabeça várias vezes e ela sempre crescesse de novo.
Eu estava passando a noite num hotel que era um antigo monastério.
De manhã eles colocavam aqueles cânticos gregorianos.
Era bizarro.
Deitei para dormir. Paredes frias.
Duas horas depois acordei me vomitando para fora.
Eu não lembro mais nada dessa noite.
Só sei que acordei bem no dia seguinte.
Devo ter desfalecido por algum tempo.
Ou deus me pôs na cama.
.

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