segunda-feira, 20 de junho de 2011

Pra lá da gente

Fotos, eu tento fotografar, nada sei o que é, será que essa vez é a vez?
Eu falo milhares de línguas e logo fecho a porta do quarto e fico olhando o recorte que a minha janela
faz dessa vida chilena e logo penso que nao vou conseguir voltar, eu penso tanto, tanto e logo os dias
passam e já foram quarenta e poucos dias.

Falamos linguas que sao outras, de carnavais passados,
fora de moda talvez, eu estou viciada em chá gelado, sabe?
Lembro de voce e acumulo garrafas pelo quarto, garrafas que podem contribuir
para aumentar o lixo mundial. Tenho medo de olhar o rio, percebi que está bravo.
Sim, a poetisa, Aída, com seus haikais, lembrei da Shu, lembrei de ti,
era gente da gente como a gente também.

Absinto, absinto, ainda sinto, sonhei com coisas incriveis, eu estava desnuda, andava
pela sua casa, aquela da sua mae, pelada, a piscina estava vazia (risos) e a galera estava
sentada dentro da piscina, eu saia com os peitos de fora, caminhando pela casa
e encontrava voces, mas sentia vergonha daquele jeito todo, daquela coisa toda,
eu tambem sentia um tesao descomunal, era algo corporal, intuitivo até fragil
e de repente meus peitos sairam boiando pela casa e minha xoxota eram pedacos
de chocolate branco que estavam dentro de um velho copo de whisky. O copo
estava quebrado na borda, bem na bordinha, como se alguém tivesse chupado,
como uma mordida de um lobo,

Era um velho e bom copo de whisky.

Talvez fosse um copo de Jim Beam, voce e o Marcus dancavam juntos, era algo
de Coltrane, Mingus. Ellington, avant-garde jazz com big bands, solistas e tantos
acordes repetitivos, eu desejava que a música acabasse...

Era uma eterna improvisacao, eu corria desnuda pela casa, com chocolates caindo
da minha xoxota, era a minha xoxota em chocolates escorrendo pela casa, sempre
falamos das mesmas coisas, eu e minha maldita xoxota, tema de inúmeros ensaios,
nunca te contei, mas já me violaram, é violaram, sozinha estava, eu era
uma heroína, nunca me passava nada, nao sei porque falo disso,
é algo intuitivo voltar,
algo que nasceu no século passado, assim como o Jazz, algo que mescla
uma dor, com um ritmo descontinuo...

é tudo parte de uma identidade, será que
estou mais para o jazz de chicago ou de new york?
Ou ainda preciso do que veio de New Orleans...

Hoje eu queria acordar Hancock e tocar até minhas tripas sairem pelo único buraco que
ainda sangra.

Sangro para tentar aliviar da pena que ali colocaram,
semearam odio e eu transformei em desejo, preciso contar, saber que caminhei por
callecitas oscuras, que me meti em becos onde nem Gillespie poderia me salvar, eu sonhei
noite passada com Parker e Mahler, nao me pergunte muito os motivos, sonhei música e
me assustei...

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