sexta-feira, 10 de junho de 2011

Qué es esto?

Eu nao quero me salvar da dor humana, quero parar de tremer diante da liberdade. Eu quero me desprender do abrazo que ficou marcado na minha garganta, sair a rua e ter novamente quinze anos, estou fudida, de verdade que estou fudida, aprendi a cozinhar, posso telefonar e dizer que nada mudou, que tudo continua como antes, que o amo ainda, que jamais poderia deixar de sofrer por esse amor, passou muito tempo nessa pequena terra fria.

Talvez ela  soubesse da existencia da enfermidade, noche tras noche eu sofro de uma febre devastadora, sempre digo enormes estupideces. No café sempre deixo cair um pouco do querer, assim com certo descuido, deixo cair um pózinho de querer, pode ser na sopa também ou no chá. A gente nunca pode impedir, quem sabe provocar, estou rejodida.

Nao posso mais permitir, nao posso, estou furiosa, como Helena de Galeano, sonho com a terra dos sonhos, sonho com a minha perrita falecida, tenho um imenso baú cheio de cores, nao consigo sonhar todos os sonhos que me desejam, eles querem ser sonhados, mas existe um que nao dá espaco, nao cede o passo, um tao bobo, um que cheira a feijao cozido com pimenta. Penso em todos os sonhos novos que poderiam me acometer e jamais chegarao...

Vejo uma fila de sonhos, como se fossem peixinhos para serem resgatados, nao consigo me concentrar. Preciso de uma ilha onde eu deposite todos os meus sonhos novos, assim eles nao se perderao, serao guardados num esconderijo...

Por aqui, participo de veladas musicales, ontem assisti um concerto de piano e cello, no programa Beethoven, Granados e Rachmaninoff, foi tao lindo. Da  próxima vez, levarei um caderno para rascunhar enquanto sinto os Allegros e os Andantes consumindo as minhas visceras.

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