Lindas demais tuas fotos.
Cacos de vidro achados no chão.
Quero que fale a língua que desejar, embora às vezes eu não entenda tão bem o espanhol, por uma questão de som e não de língua, mas às vezes não entendo também o português e se você quisesse falar em Russo talvez te entenderia.
Que encontro incrível este com a Poetisa. Coisas que só podem te passar. Imaginei uma senhora de cabelos brancos, mas é claro que talvez ela não seja tão velha assim - o mais curioso pra mim são os muito jovens com a cabeça toda branca. E Artemisia.... Percebeste? Lembra que tentamos tomar aquele chá? A procura de uma nova sensação como só a Sálvia pode nos proporcionar? É da Artemisia que se faz o Absinto.
GENTE DA GENTE
Agora você encontrou um lugar seu. Era disso que hablavamos estes dias, sobre encontrar este lugar. E estas pessoas. E estas conversas. GENTE DA GENTE. Isso me lembra o som de uma campainha tocando numa Copa do Mundo "É gente da gente?"
E isso me lembra uma chamada de um filme que acabei de ver na locadora, "Gente como a gente", mas não sei do que se trata, talvez da próxima vez agora eu alugue.
"O Carteiro e o Poeta" é meu filme preferido, eu não consigo mais assisti-lo sozinha. Bate em algum lugar que machuca. Ou é só muito bonito. Talvez por isso machuque. Mas tenho precisado assistir filmes, como esse, como os do Garrel, quero me preencher deles. Eu estou ficando bem doente, era uma gripe que talvez agora seja o início de uma pneumonia, mas ainda não sei. Estou já há quase uma semana assim, mas somente hoje me cuidei de verdade. Então talvez amanhã eu melhore e não seja nada. Ontem estava com tanta dor que fui dormir com a minha irmã. Engraçado ver o lugar invertido desse jeito. Ela me velando o sono e eu velei o sono dela tantas vezes... Minha mãe também estava doente. E o louco é que minha irmã acordou doente hoje. Eramos as três mulheres enfermas da casa. Pela manhã eu quase não conseguia falar, ficamos em casa, e assistimos um dos filmes preferidos da minha mãe. Aquele "Principe das Marés". Tão curioso. Ela insistiu para por este filme, insistiu e insistiu e na metade me confessou que se identificava com a Mãe do protagonista. Uma Mãe que é histérica, louca, amorosa, tudo demais. Parece que só queria por este filme para me dizer isso em algum momento. E a peça que comecei a escrever estes dias é justamente sobre isso. Sobre uma mãe louca. Mas do que sobre este filho. Sobre a histeria desta Mãe.
Alors. Coisas que nos passam. Agora estou aqui.
"Ela veio me ver, deitou-se comigo
Você precisa comer
Eu não estou com fome
Mas você precisa comer
alguma coisa quente
Poderia tomar uma sopa
Então vá fazer uma sopa
Mas eu não quero sair daqui
Vá fazer uma sopa
Mas quero ficar aqui com você
Você quer é ficar mais doente
Então levanto para fazer a sopa
E aquela sensação
de como sou IMPETUOSAMENTE IMATURA
de que eu não queria fazer minha
própria sopa
Não com essas mãos doentes
e esses pés gelados
e essa tosse o tempo todo
E começo a descascar as cebolas
Corto as cenouras como se cortasse meus dedos
e então ela aparece na porta da cozinha
vestindo só a parte de cima da roupa
O que você está fazendo aqui
Você não quer que te veja cozinhar
Volte para cama
Deixa eu te olhar
E ela sorri de baixo para cima
Uma mulher de meia-idade
e parece um bebê deste jeito
Semi-nua
sorrindo de baixo para cima
na soleira da porta
E eu estou arranhando a tábua de um lado
para o outro e já nem me lembro
porque
E então sorrio
E deixo que ela fique ali parada
Até a água ferver"
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