segunda-feira, 20 de junho de 2011

Caiu no buraco

J.M.

Caiu no buraco e acabou o mundo?

Nem sei mais se estou em Chile, por onde ando deixo marcas que me
ferem, encontrei pequenas feridas nas minhas maos,
nao sei como surgiram, eu nao sinto dor,
talvez seja a fria temperatura que me cicatriza, sabe?

Fumo muito, tenho sono e aqui o sol aparece as oito da manha, nao posso
acordar antes das dez horas.
Para que?
Sempre me pergunto, para que despertar numa manha tao fria.

Choveu tanto, que ando com os cabelos cheios de agua, sem mesmo tomar banho.
A gente sempre tenta fugir, eu sempre sonhei em fugir com o Circo, sabe?
Eu adorava brincar de Circo, meu irmao e eu tinhamos nossos personagens, eu era a
bailarina, vestia minha roupinha do ballet  e ele era o Bélis, o palhaco Bélis e a bailarina.
Meu pai fez uma música para o nosso número,
lembro da minha grande vontade de fugir, fugir com o Circo,
quem vai com o Circo sempre tem algo de misterioso, algo que nao resolveu,
um crime, uma dor, um amor, algo que abandonou...

tenho um lugar que ainda nao me pertence.
nada aqui fui,
nada é meu aqui,
talvez as roupas jogadas no canto esquerdo,
talvez alguns livros encostados na parede.
Tem um mapa, grande
da cidade,
as vezes lembro que nasci ali,
quase sempre penso que sou de chocadeira
chamo por minha mae
nao há sinal de fumaca,
queria um chocolate,
daquele que vende perto da minha casa,
é ainda falo minha casa,
tenho que pensar muito para dizer outra coisa.
Eu acordo no meio da noite,
ainda sinto os ruidos daquela rua
nao tomo mate,
percebi que nao posso
nunca tomei antes
para que agora?
As vezes cozinho,
coisas que eu penso que sao do meu país.
Gostar mesmo, eu nao gosto dessas comidas,
mas fazem todo o sentido nesse lugar.
Silencio,
como dois brigadeiros,
sao feitos com chocolate amargo,
prefiro assim,
o dia quase passou
e deito na cama para
para...
para...
eu tenho a chave da sua casa aqui
sera que ainda é a mesma?
tem um chaveiro do Popeye.
gosto do cheiro que tem essa cama,
Amo, intenso.

Um comentário: