quarta-feira, 9 de maio de 2012

Barthes + Racine

"ENONE
Estás amando?
FEDRA
Do amor eu sinto toda a fúria.
ENONE
Por quem?
FEDRA
Tu vais ouvir agora o auge do horror
Eu amo... A esse nome fatal eu arrepio, eu tremo...
Eu amo...
ENONE
Quem?
FEDRA
Conheces o filho da amazona,
Esse Príncipe que oprimi tanto tempo?
ENONE
Grandes deuses! Hipólito?
FEDRA
Tu o disseste.
ENONE
Ó, céus! Todo o sangue se gela em minhas veias!
Oh desespero! Oh, crime! Que estirpe deplorável!
Viagem infortunada! Rio maldito!
Não era necessário descer naquelas praias!"




trecho de FEDRA de J.Racine






4. Prova de amor: te sacrifico meu Imaginário — como se dedicava o corte de uma cabeleira. Assim talvez (pelo menos é o que dizem) terei acesso ao "verdadeiro amor". Se há alguma semelhança entre a crise amorosa e a cura analítica, elaboro então o luto de quem eu amo, como o paciente elabora o luto do seu analista: liquido minha transferência, e parece que, assim, a cura e a crise terminam.Entretanto, como já foi dito, essa teoria esquece que o analista também deve elaborar o luto do seu paciente (sem o que a análise corre o risco de não terminar nunca); do mesmo modo, o ser amado — se eu lhe sacrifico um Imaginário que estava entretanto grudado nele -, o ser amado deve entrar na melancolia de sua própria decadência. É preciso prever e assumir essa melancolia do outro ao mesmo tempo do meu próprio luto, e sofro, pois ainda o amo. "




trecho de "Fragmentos de um discurso amoroso: O exílio do imaginário" de Roland Barthes












sobre a paixão desconcertada....







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