Estás amando?
FEDRA
Do amor eu sinto toda a fúria.
ENONE
Por quem?
FEDRA
Tu vais ouvir agora o auge do horror
Eu amo... A esse nome fatal eu arrepio, eu tremo...
Eu amo...
ENONE
Quem?
FEDRA
Conheces o filho da amazona,
Esse Príncipe que oprimi tanto tempo?
ENONE
Grandes deuses! Hipólito?
FEDRA
Tu o disseste.
ENONE
Ó, céus! Todo o sangue se gela em minhas veias!
Oh desespero! Oh, crime! Que estirpe deplorável!
Viagem infortunada! Rio maldito!
Não era necessário descer naquelas praias!"
trecho de FEDRA de J.Racine
" 4. Prova de amor: te sacrifico meu Imaginário — como se dedicava o corte de uma cabeleira. Assim talvez (pelo menos é o que dizem) terei acesso ao "verdadeiro amor". Se há alguma semelhança entre a crise amorosa e a cura analítica, elaboro então o luto de quem eu amo, como o paciente elabora o luto do seu analista: liquido minha transferência, e parece que, assim, a cura e a crise terminam.Entretanto, como já foi dito, essa teoria esquece que o analista também deve elaborar o luto do seu paciente (sem o que a análise corre o risco de não terminar nunca); do mesmo modo, o ser amado — se eu lhe sacrifico um Imaginário que estava entretanto grudado nele -, o ser amado deve entrar na melancolia de sua própria decadência. É preciso prever e assumir essa melancolia do outro ao mesmo tempo do meu próprio luto, e sofro, pois ainda o amo. "
trecho de "Fragmentos de um discurso amoroso: O exílio do imaginário" de Roland Barthes
sobre a paixão desconcertada....
trecho de "Fragmentos de um discurso amoroso: O exílio do imaginário" de Roland Barthes
sobre a paixão desconcertada....
prolongacoes amorosas...
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