quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

ameaças

-  não me lembro...


- li, tremendo moralismo


- não me venha com essa bobagem. A narrativa linear ainda persiste no imaginário humano  


- você não entenderia, se enche de nicotina num quartinho escuro.


- Autor morto, rei posto


- você insiste


- fiz apenas menção, vou buscar mais vinho...
atende a porra do telefone...
ATENDE


- o timbre me irrita, é urgente?


- não sei, é incontrolável


- isso tudo é uma tortura, eu comerei a parte que me cabe e irei


- a cama está cheia com os seus cacos, mais vinho?


- são meus fluídos, não enche muito.


- tenho uma sensação, uma sensação como se já não tivéssemos muito o que dizer


- as pessoas nunca são consistentes, não há motivo para se assustar


- dá no mesmo


- você é horrível,


- não tem importância, há um bom tempo sei fazer isso


- Afinal de que merda estamos falando?


- você não vem?


- escuta eu queria perguntar...eu só queria perguntar de que MERDA estamos falando


não me diga mais nada, não tenho tempo


- diga que dá pena ouvir


- não sei ao certo, as suas palavras surgem ocas


- tudo se fecunda tão rápido em mim, que parece uma imensidão de erros.


- A poesia toda é uma viagem ao desconhecido


- O que é que isso tem a ver comigo?


- É um jogo, você deve se mostrar


..........


por aqui as plantas crescem e me dou conta dos próximos dez anos...





















Um comentário: