- não me lembro...
- li, tremendo moralismo
- não me venha com essa bobagem. A narrativa linear ainda persiste no imaginário humano
- você não entenderia, se enche de nicotina num quartinho escuro.
- Autor morto, rei posto
- você insiste
- fiz apenas menção, vou buscar mais vinho...
atende a porra do telefone...
ATENDE
- o timbre me irrita, é urgente?
- não sei, é incontrolável
- isso tudo é uma tortura, eu comerei a parte que me cabe e irei
- a cama está cheia com os seus cacos, mais vinho?
- são meus fluídos, não enche muito.
- tenho uma sensação, uma sensação como se já não tivéssemos muito o que dizer
- as pessoas nunca são consistentes, não há motivo para se assustar
- dá no mesmo
- você é horrível,
- não tem importância, há um bom tempo sei fazer isso
- Afinal de que merda estamos falando?
- você não vem?
- escuta eu queria perguntar...eu só queria perguntar de que MERDA estamos falando
- não me diga mais nada, não tenho tempo
- diga que dá pena ouvir
- não sei ao certo, as suas palavras surgem ocas
- tudo se fecunda tão rápido em mim, que parece uma imensidão de erros.
- A poesia toda é uma viagem ao desconhecido
- O que é que isso tem a ver comigo?
- É um jogo, você deve se mostrar
..........
por aqui as plantas crescem e me dou conta dos próximos dez anos...
uou
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