terça-feira, 29 de novembro de 2011

p = pgz


De vento em popa, eu vou me esquecendo, sem perceber as coisas perdem o grande significado, banalizo até o meu sapato vermelho. Não tenho dinheiro algum para quitar as minhas dívidas. Reflito pouco, porque penso muito e de fato penso muito, porque não gosto de chorar. Os dias seguem de par em par, eu vou deslizando pelo cano do banheiro. A torneira goteja, me enche de uma gosma amarga, dissipo em mim, uma dor de duzentas gerações. Perturbada, abro o zíper da calça, balanço as tetas para os passantes. Goteja o mar em mim, outra recaída? E a ordem das crises, alguém poderia concatená-las. A primeira foi há 14 anos, cheia de uma certa virilidade de adolescente, minha boca cheia de feridas, emagreci, chorei durante meses e era uma dor fora de mim. Uma dor maravilhosa e fétida. Lembro que gravei diversos cassetes, eu tinha um grande e negro aparelho de som, onde metia, com minha língua cansada, dezenas de palavras que eram impressas numa fita escura. 

e sinto que meu corpo sempre
corresponde bem antes do que as lágrimas


Nenhum comentário:

Postar um comentário