quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Primeros crímenes en la edad de la inocencia

Eu matei um grilo, nao sabia que era um grilo, me desesperei depois quando soube. Ele caminhava com umas patas enormes e tinha um casco duro, fazia ruído, um ruído que me pareceu asqueroso. Senti asco, era uma barata, era uma barata, a certeza era tanta que corri para a cozinha, fui buscar o veneno, o mais forte. Nunca tinha visto um grilo tao grande e com essa cor, como caramelo. Cor de barata, eu concluí na minha ansia de liquida-lo. 


Botei tanto veneno que o chao do quarto ficou branco, creio que inalei um pouco, sendo sincera inalei uma quantidade significativa, fiquei atordoada, a garganta seca, colorocao vermelha na pele. Me senti o próprio Burroughs, inalando veneno para matar barata e atirando contra a esposa, talvez como ele eu também nao tenha nada para fazer, nao me sinta motivada e de certa forma escrever me dá algo para fazer a cada dia, certo? 


Nao importa, eu matei o grilo inalando quantidades absurdas de veneno para insetos. O grilo andava pelo quarto tranquilo, nao se alterou quando eu o cobri com a morte. Seguiu na mesma direcao e depois de alguns segundos caiu de lado e morreu, aceitou o seu fardo. O grilo andava no quarto, era um grilo grande, me senti culpada depois, talvez era como a história do seu Gillespinho, a diferenca é que voce nao o atacou. Eu sim, ataquei um pobre grilo que só queria me trazer sorte. 


Fui pesquisar sobre os grilos e descobri entre outras coisas que os imperadores chineses apreciavam o canto estridente desses bichos e os mantinham em caixinhas ou pequenas gaiolas dentro dos quartos. 


Outra coisa que li, foi que os grilos representam a alma de antepassados que nos visitam, ahhhhhhhhh, estou pegada com a questao da morte. 


( a AZI me pediu um regalo aqui no Hondonadas, mas estou no processo, logo publico)









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