Eu matei um grilo, nao sabia que era um grilo, me desesperei depois quando soube. Ele caminhava com umas patas enormes e tinha um casco duro, fazia ruído, um ruído que me pareceu asqueroso. Senti asco, era uma barata, era uma barata, a certeza era tanta que corri para a cozinha, fui buscar o veneno, o mais forte. Nunca tinha visto um grilo tao grande e com essa cor, como caramelo. Cor de barata, eu concluí na minha ansia de liquida-lo.
Botei tanto veneno que o chao do quarto ficou branco, creio que inalei um pouco, sendo sincera inalei uma quantidade significativa, fiquei atordoada, a garganta seca, colorocao vermelha na pele. Me senti o próprio Burroughs, inalando veneno para matar barata e atirando contra a esposa, talvez como ele eu também nao tenha nada para fazer, nao me sinta motivada e de certa forma escrever me dá algo para fazer a cada dia, certo?
Nao importa, eu matei o grilo inalando quantidades absurdas de veneno para insetos. O grilo andava pelo quarto tranquilo, nao se alterou quando eu o cobri com a morte. Seguiu na mesma direcao e depois de alguns segundos caiu de lado e morreu, aceitou o seu fardo. O grilo andava no quarto, era um grilo grande, me senti culpada depois, talvez era como a história do seu Gillespinho, a diferenca é que voce nao o atacou. Eu sim, ataquei um pobre grilo que só queria me trazer sorte.
Fui pesquisar sobre os grilos e descobri entre outras coisas que os imperadores chineses apreciavam o canto estridente desses bichos e os mantinham em caixinhas ou pequenas gaiolas dentro dos quartos.
Outra coisa que li, foi que os grilos representam a alma de antepassados que nos visitam, ahhhhhhhhh, estou pegada com a questao da morte.
( a AZI me pediu um regalo aqui no Hondonadas, mas estou no processo, logo publico)

vc me traz sorte!
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